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AULA 1 — O PODER DA SEMENTE

AULA 1 — O PODER DA SEMENTE

AULA 1 — O PODER DA SEMENTE
O QUE É SEMENTE, DNA, SOLO, TIPOS DE SEMENTES E AQUILO QUE DEUS JÁ COLOCOU EM NOSSAS MÃOS

Gênesis 1:11–12; Mateus 13:1–23; Marcos 4:26–29; 1 Coríntios 15:35–38; Gálatas 6:7–9; 2 Coríntios 9:10.

  1. INTRODUÇÃO — TODA GRANDE COLHEITA COMEÇA PEQUENA

Quando olhamos para uma semente na palma da mão, estamos olhando para algo aparentemente pequeno, simples e até insignificante.
Mas existe uma diferença entre aquilo que uma semente parece ser e aquilo que ela carrega potencialmente.
Uma semente não deve ser avaliada apenas pelo seu tamanho presente, mas pelo futuro que pode produzir quando encontra as condições adequadas.
Uma árvore pode ser maior do que a mão de um homem.
Pode produzir sombra.
Pode produzir frutos.
Pode alimentar pessoas.
Pode produzir centenas ou milhares de novas sementes.
Entretanto, toda essa capacidade começa concentrada em algo pequeno.
Por isso, uma das frases mais importantes desta aula será:
UMA SEMENTE É UM PEQUENO COMEÇO COM POTENCIAL PARA UM GRANDE FUTURO.
Jesus utilizou repetidamente a agricultura para ensinar verdades acerca do Reino de Deus.
Marcos 4:26–29
“O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra; e dormisse e se levantasse de noite e de dia, e a semente brotasse e crescesse, sem ele saber como. A terra por si mesma produz fruto, primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão cheio na espiga. Mas assim que o fruto amadurecer, logo lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.”
Observe a sequência:
SEMENTE → TERRA → GERMINAÇÃO → CRESCIMENTO → FRUTO → COLHEITA.
Jesus está ensinando originalmente sobre o Reino de Deus. Não devemos perder isso.
A parábola não foi dada originalmente como uma fórmula financeira. Ela descreve o crescimento misterioso e progressivo do Reino: o homem semeia, mas não controla o poder que produz o crescimento.
Entretanto, a imagem utilizada por Jesus nos permite observar um princípio:
O semeador participa do plantio, mas não possui em si mesmo o poder de produzir vida dentro da semente.
Ele planta.
Deus estabeleceu os processos pelos quais a vida germina e cresce.

  1. O QUE É UMA SEMENTE?

No sentido agrícola, semente é uma estrutura que contém um embrião vegetal e reservas ou estruturas necessárias para iniciar uma nova geração da planta em condições apropriadas.
Biblicamente, porém, a palavra “semente” possui diferentes usos.
No Antigo Testamento, uma das principais palavras hebraicas é:
זֶרַע — zeraʿ
Dependendo do contexto, pode indicar:
• semente agrícola;
• aquilo que é semeado;
• descendência;
• posteridade.
No Novo Testamento aparecem palavras gregas relacionadas à semente e ao ato de semear, como σπέρμα — sperma, “semente/descendência”, e o verbo σπείρω — speirō, “semear”.
Portanto, é necessário perguntar sempre:
Que tipo de “semente” determinado texto está descrevendo?
Porque nem toda ocorrência bíblica da palavra possui exatamente o mesmo significado.

  1. DEUS COLOCOU O PRINCÍPIO DA REPRODUÇÃO NA CRIAÇÃO

A primeira grande referência que precisamos observar está em Gênesis.
Gênesis 1:11–12
Deus ordena que a terra produza vegetação, plantas que deem sementes e árvores frutíferas que produzam fruto segundo a sua espécie, contendo em si sua semente.
Existe aqui algo extraordinário.
Deus não criou somente árvores.
Criou árvores capazes de continuar produzindo.
Deus não criou somente frutos.
Dentro dos frutos colocou sementes.
Portanto, a criação vegetal foi estruturada com capacidade de continuidade e reprodução.
O fruto alimenta o presente.
A semente possibilita uma próxima geração.
Essa distinção será muito importante para nosso estudo.
Você pode consumir o fruto.
Mas existe algo dentro daquele fruto que possui potencial de iniciar outro ciclo.

  1. A SEMENTE CARREGA UMA INSTRUÇÃO

“Cada semente contém uma instrução invisível.”
Como ilustração, a ideia é excelente.
Uma semente de tomate não produz uma melancia.
Uma semente de milho não produz uma mangueira.
Existe uma identidade biológica determinada dentro daquela semente.
Biblicamente, Gênesis expressa isso por meio da linguagem:
“segundo a sua espécie”.
Isso nos permite construir uma aplicação pastoral importante.
Gálatas 6:7
“Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará.”
Paulo não está ensinando genética vegetal nesse texto.
Ele está utilizando o princípio conhecido da semeadura para falar das escolhas morais e espirituais.
O contexto continua:
“Porque quem semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas quem semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.”
Portanto, aqui a Bíblia estabelece claramente uma correspondência:
A NATUREZA DA SEMEADURA ESTÁ RELACIONADA À NATUREZA DA COLHEITA.
Isso é muito mais seguro biblicamente do que simplesmente afirmar que “qualquer semente produz qualquer coisa que eu determinar”.
Não.
Há correspondência entre aquilo que é semeado e aquilo que é colhido.

  1. VOCÊ ESCOLHE MUITAS COLHEITAS QUANDO ESCOLHE O QUE PLANTA

Isso muda nossa maneira de pensar.
Muitas pessoas querem escolher a colheita sem considerar a semeadura.
Querem colher confiança, mas plantam mentira.
Querem colher relacionamentos saudáveis, mas plantam indiferença.
Querem colher conhecimento, mas não plantam estudo.
Querem colher intimidade com Deus, mas não investem tempo em oração e Escritura.
Querem colher estabilidade financeira, mas não plantam disciplina, planejamento e boa administração.
Querem colher honra, mas semeiam desonra.
Querem colher perdão, mas não perdoam.
Gálatas estabelece um princípio sério:
“Tudo o que o homem semear, isso também ceifará.”
Portanto:
A COLHEITA DE AMANHÃ POSSUI RELAÇÃO COM AS SEMENTES QUE ESTAMOS PLANTANDO HOJE.

  1. A SEMENTE POSSUI POTENCIAL, MAS POTENCIAL NÃO É COLHEITA

Aqui precisamos fazer uma distinção fundamental.
Ter uma semente não significa ter uma colheita.
Você pode possuir um saco cheio de sementes durante vinte anos.
Enquanto permanecerem no saco, continuam sendo sementes.
Para que o potencial seja desenvolvido, precisa começar um processo.
Essa é uma das grandes tragédias da vida:
PESSOAS CHEIAS DE POTENCIAL, MAS VAZIAS DE PLANTIO.
Possuem capacidade.
Possuem conhecimento.
Possuem oportunidades.
Possuem experiências.
Possuem recursos.
Possuem dons.
Possuem tempo.
Mas nunca transformam aquilo que possuem em serviço, trabalho, investimento, relacionamento, aprendizagem ou contribuição.
Por isso precisamos perguntar:
O QUE DEUS JÁ COLOCOU NAS MINHAS MÃOS QUE EU AINDA NÃO ESTOU USANDO?

  1. VOCÊ É UM ARMAZÉM DE POSSIBILIDADES

“Você é um armazém ambulante de sementes.”
Vamos entender isso como uma aplicação pastoral, não como uma definição literal da palavra bíblica “semente”.
Existem coisas que Deus já colocou em nossa vida que podem ser investidas para produzir benefício.
Talvez você esteja pedindo:
“Deus, dê-me alguma coisa.”
E talvez a primeira pergunta devesse ser:
“Senhor, o que já colocaste em minhas mãos?”
Moisés tinha uma vara.
Davi tinha uma funda e experiência no pastoreio.
A viúva de 2 Reis 4 possuía uma vasilha de azeite.
Os discípulos encontraram cinco pães e dois peixes.
Dorcas possuía habilidade para fazer roupas e servir pessoas.
Nem sempre o começo da resposta está naquilo que ainda não chegou.
Às vezes, começa com aquilo que já está disponível.

  1. EXISTEM SEMENTES QUE NÃO SÃO DINHEIRO

Esse ponto precisa ficar muito claro.
Quando falamos de “semente” como aplicação espiritual contemporânea, não devemos restringi-la às finanças.
Dinheiro pode ser objeto de generosidade e contribuição; Paulo inclusive utiliza linguagem de semeadura nesse contexto em 2 Coríntios 9.
Mas a metáfora da semeadura pode pastoralmente nos ajudar a pensar em outras áreas.
SEU TEMPO PODE SER INVESTIDO
Tempo dedicado a uma pessoa pode fortalecer um relacionamento.
Tempo dedicado ao estudo pode produzir conhecimento.
Tempo dedicado à oração pode aprofundar a vida espiritual.
SEU CONHECIMENTO PODE SER COMPARTILHADO
Aquilo que você aprendeu pode ajudar outra pessoa.
SEU SERVIÇO PODE BENEFICIAR ALGUÉM
Talentos colocados à disposição podem resolver problemas.
SUAS PALAVRAS PRODUZEM CONSEQUÊNCIAS
Encorajamento, ensino e aconselhamento podem mudar ambientes.
PERDÃO PRODUZ CONSEQUÊNCIAS
Quando você perdoa, interrompe ciclos de vingança e ressentimento.
GENEROSIDADE PRODUZ CONSEQUÊNCIAS
Recursos colocados a serviço de necessidades reais podem transformar situações.
Portanto, homileticamente podemos dizer:
SEMENTE É AQUILO QUE SAI DAS SUAS MÃOS HOJE E PARTICIPA DA CONSTRUÇÃO DO AMANHÃ.
Isso é uma frase pastoral, não uma definição lexical da palavra hebraica ou grega.

  1. EXISTEM DIFERENTES SEMENTES PARA DIFERENTES ÁREAS

Podemos organizar pastoralmente dessa maneira:
VIDA ESPIRITUAL
Algumas práticas importantes:
• Palavra;
• oração;
• jejum;
• comunhão;
• obediência;
• serviço.
Não espere profundidade espiritual cultivando negligência espiritual.
VIDA INTELECTUAL
Sementes práticas:
• leitura;
• estudo;
• treinamento;
• formação;
• disciplina;
• aprendizado.
Você não colhe conhecimento simplesmente desejando conhecimento.
VIDA FAMILIAR
Sementes práticas:
• presença;
• diálogo;
• honra;
• serviço;
• perdão;
• atenção;
• tempo.
VIDA PROFISSIONAL
Sementes práticas:
• excelência;
• pontualidade;
• preparação;
• competência;
• confiabilidade;
• desenvolvimento.
VIDA FINANCEIRA
Sementes práticas:
• trabalho;
• administração;
• planejamento;
• generosidade;
• fidelidade;
• poupança;
• investimento responsável;
• contribuição segundo a fé e consciência.
Portanto:
NÃO ADIANTA PLANTAR EM UMA ÁREA E EXIGIR DE OUTRA ÁREA A COLHEITA.

  1. MAS NÃO BASTA TER UMA BOA SEMENTE — É PRECISO DISCERNIR O SOLO

Chegamos agora à Parábola do Semeador.
Mateus 13:3
“Eis que o semeador saiu a semear.”
Jesus apresenta a mesma atividade de semeadura, mas resultados diferentes.
Uma parte caiu:
à beira do caminho.
Outra:
em terreno pedregoso.
Outra:
entre espinhos.
Outra:
em boa terra.
E somente a boa terra produziu fruto abundantemente.
Mais tarde, Jesus explica a parábola.
Aqui não precisamos adivinhar o significado da semente.
Em Mateus 13, ela está relacionada à Palavra do Reino; em Marcos 4:14, a explicação é direta: “O semeador semeia a palavra.”
Portanto, o significado original dessa parábola não é:
“dinheiro plantado em diferentes ministérios”.
O assunto é a Palavra recebida em diferentes condições do coração humano.

  1. A MESMA SEMENTE PODE ENCONTRAR DIFERENTES RESPOSTAS

Isso é extraordinário.
O problema da parábola não está na qualidade da semente.
A semente é a mesma.
O semeador é o mesmo.
O que muda é o solo.
PRIMEIRO SOLO — CAMINHO
A Palavra é ouvida, mas não penetra.
SEGUNDO SOLO — PEDREGOSO
A Palavra é recebida rapidamente, mas não desenvolve raiz suficiente para resistir à tribulação.
TERCEIRO SOLO — ESPINHOS
A Palavra começa a crescer, mas é sufocada pelas preocupações e pela sedução das riquezas.
QUARTO SOLO — BOA TERRA
A Palavra é ouvida, compreendida e produz fruto.
Jesus menciona:
cem, sessenta e trinta por um.
Portanto:
NÃO BASTA PERGUNTAR QUE SEMENTE ESTOU PLANTANDO. PRECISO PERGUNTAR EM QUE SOLO ESTOU PLANTANDO.

  1. NÃO DESPERDICE SEMENTES EM AMBIENTES QUE NÃO PODEM RECEBÊ-LAS

Aqui entramos novamente na aplicação pastoral.
Nem toda oportunidade é um bom solo.
Nem toda parceria é um bom solo.
Nem todo relacionamento é um bom solo.
Nem todo investimento é um bom solo.
Nem todo ambiente é um bom solo para seus talentos.
Nem toda pessoa está preparada naquele momento para receber aquilo que você deseja entregar.
Isso não significa desprezar pessoas.
Significa desenvolver discernimento.
Jesus ensina na parábola que a receptividade do solo afeta profundamente o resultado da semeadura.
Portanto:
UMA BOA SEMENTE NÃO ELIMINA A NECESSIDADE DE UM SOLO ADEQUADO.

  1. DEUS DÁ SEMENTE AO SEMEADOR

2 Coríntios 9:10
Paulo fala daquele que:
“dá semente ao que semeia e pão para alimento”.
O contexto é generosidade.
Essa passagem é particularmente importante porque distingue duas coisas:
PÃO
e
SEMENTE.
O pão é destinado ao alimento.
A semente é destinada ao plantio.
Pastoralmente, podemos extrair uma pergunta:
SERÁ QUE ESTAMOS CONSUMINDO TUDO O QUE RECEBEMOS, SEM RESERVAR NADA PARA PRODUZIR O FUTURO?
Isso vale de maneira direta para o contexto de generosidade de 2 Coríntios 8–9 e, como princípio prudencial, pode inspirar reflexão sobre administração de recursos.

  1. IDENTIFIQUE O QUE JÁ ESTÁ EM SUAS MÃOS

Quero fazer algumas perguntas.
O que você sabe fazer?
Que experiência você acumulou?
Que portas Deus já abriu?
Que relacionamentos você possui?
Que conhecimento você recebeu?
Que habilidade você desenvolveu?
Quanto tempo ainda está disponível para você?
Que recursos você possui?
Que oportunidade está diante de você?
Que problema você sabe resolver?
Porque uma das grandes mudanças acontece quando paramos de olhar exclusivamente para aquilo que falta e começamos a administrar aquilo que já recebemos.
Talvez aquilo que você chama de “pouco” seja exatamente o seu ponto de partida.

  1. NÃO DESPREZE PEQUENOS COMEÇOS

Uma semente não impressiona pelos centímetros que ocupa na mão.
Ela impressiona pelo potencial de vida que carrega.
Da mesma maneira, não despreze:
um pequeno começo;
uma pequena oportunidade;
um primeiro cliente;
um primeiro aluno;
uma primeira aula;
um primeiro investimento;
um primeiro livro;
uma primeira reunião;
uma primeira porta;
um primeiro passo.
Pequeno não significa inútil.
Pequeno pode significar início.
Mas precisamos manter equilíbrio:
nem tudo que começa pequeno necessariamente ficará grande.
A Bíblia não promete crescimento ilimitado para todo empreendimento humano.
Nossa responsabilidade é sermos fiéis, sábios e obedientes naquilo que recebemos.
O resultado pertence à providência de Deus.

  1. A SEMENTE PRECISA SAIR DA SUA MÃO

Existe uma diferença entre:
possuir semente
e
semear.
Enquanto estiver apenas guardada, ela representa possibilidade.
Quando é plantada adequadamente, começa um processo.
Por isso Eclesiastes 11:6 diz:
“Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retenhas a tua mão; pois tu não sabes qual das duas prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas.”
Existe responsabilidade humana:
semear.
Existe uma dimensão que não controlamos:
qual prosperará.
Essa tensão é fundamental para compreendermos corretamente o princípio da semente.
Nós participamos do processo, mas não controlamos todas as variáveis do processo.
O agricultor pode escolher a semente.
Pode preparar o solo.
Pode plantar.
Pode cuidar.
Pode irrigar quando isso está ao seu alcance.
Pode proteger a plantação.
Mas existem elementos que não estão completamente debaixo do domínio dele.
Por isso, a Bíblia não ensina uma fórmula mecânica segundo a qual toda ação humana necessariamente produzirá exatamente o resultado que imaginamos.
Eclesiastes diz:
“tu não sabes qual das duas prosperará.”
Isso significa que existe uma parte que pertence à nossa responsabilidade e outra que permanece debaixo da soberania e da providência de Deus.
1 Coríntios 3:6–7
Paulo utiliza novamente uma imagem agrícola:
“Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.”
Observe novamente a sequência:
PAULO PLANTOU.
APOLO REGOU.
DEUS DEU O CRESCIMENTO.
Paulo não disse:
“Como Deus dá o crescimento, não precisamos plantar.”
Também não disse:
“Como nós plantamos, somos nós que produzimos o crescimento.”
Existe cooperação, mas não igualdade de funções.
O HOMEM PLANTA.
O HOMEM REGA.
DEUS DÁ O CRESCIMENTO.
Essa verdade nos protege de dois erros.
PRIMEIRO ERRO — PASSIVIDADE
É dizer:
“Se Deus quiser, acontecerá.”
E então não fazer absolutamente nada.
Não estudar.
Não trabalhar.
Não preparar.
Não servir.
Não plantar.
Não desenvolver.
Não administrar.
Não agir.
Isso não é fé.
Pode simplesmente ser negligência.
Eclesiastes diz:
“Semeia a tua semente.”
Existe algo que precisa sair das suas mãos.
SEGUNDO ERRO — AUTOSSUFICIÊNCIA
É pensar:
“Se eu fizer tudo corretamente, obrigatoriamente conseguirei o resultado que desejo.”
Também não é isso que a Escritura ensina.
Podemos plantar e regar, mas continuamos dependendo de Deus para aquilo que somente Ele pode produzir.
Por isso Tiago 4:13–15 adverte aqueles que fazem planos para o futuro como se possuíssem controle absoluto do amanhã.
A postura bíblica não é ausência de planejamento.
É planejamento acompanhado de dependência:
“Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo.”
Portanto, existe um equilíbrio:
RESPONSABILIDADE SEM PRESUNÇÃO.
TRABALHO SEM AUTOSSUFICIÊNCIA.
PLANEJAMENTO SEM ILUSÃO DE CONTROLE.
SEMEADURA COM DEPENDÊNCIA DE DEUS.
HÁ PESSOAS ORANDO POR COLHEITAS DE SEMENTES QUE NUNCA PLANTARAM
Esse é um ponto que precisamos confrontar.
Algumas pessoas pedem:
“Senhor, muda minha vida financeira.”
Mas não administram aquilo que já recebem.
Outras dizem:
“Senhor, quero crescer intelectualmente.”
Mas não estudam.
Outras dizem:
“Senhor, restaura minha família.”
Mas não conversam, não perdoam e não investem tempo.
Outras dizem:
“Senhor, usa-me.”
Mas não desenvolvem seus dons, não servem e não começam.
A oração não substitui a responsabilidade.
A fé não elimina a obediência.
A dependência de Deus não cancela aquilo que Ele já colocou sob nossa administração.
Pode haver ocasiões em que estamos pedindo a Deus uma árvore enquanto ainda seguramos a semente que deveria ter sido plantada.
O MEDO PODE MANTER A SEMENTE PRESA NA MÃO
Por que algumas pessoas não plantam?
Porque têm medo.
Medo de perder.
Medo de começar.
Medo de fracassar.
Medo de não funcionar.
Medo de serem criticadas.
Medo de não recuperar aquilo que investiram.
Medo de que ninguém valorize.
Mas toda semeadura envolve abrir mão de alguma forma de controle imediato.
O agricultor coloca debaixo da terra aquilo que poderia continuar segurando nas mãos.
Existe um intervalo em que ele já não possui a semente como antes e ainda não possui a colheita.
É justamente nesse intervalo que a fé, a perseverança e a confiança serão necessárias.
Essa questão será aprofundada nas próximas aulas, quando estudarmos o processo da semente e o tempo entre a semeadura e a colheita.
Por enquanto, precisamos entender apenas isto:
SEMENTE GUARDADA É POTENCIAL.
SEMENTE PLANTADA ENTRA EM PROCESSO.
NÃO COMA AQUILO QUE PRECISA SER PLANTADO
A distinção de 2 Coríntios 9:10 volta a ser importante:
Deus dá:
“semente ao que semeia”
e
“pão para alimento”.
No contexto original, Paulo está tratando da provisão divina e da generosidade dos cristãos.
Mas existe uma reflexão pastoral muito útil aqui:
Nem tudo aquilo que chega às nossas mãos precisa ser imediatamente consumido.
Existem recursos que atendem necessidades presentes.
Existem recursos que podem ser separados para gerar possibilidades futuras.
Isso exige discernimento.
Quem consome tudo não preserva capacidade de semeadura.
Esse princípio vale para muitos aspectos da vida.
Se você consome todo o seu tempo apenas com entretenimento, não resta tempo para desenvolvimento.
Se consome toda sua renda, não existe reserva.
Se utiliza todo conhecimento apenas para benefício próprio, não o transforma em serviço.
Se ocupa toda agenda com urgências, não deixa espaço para construir o futuro.
Portanto, uma pergunta madura não é somente:
“O que eu posso consumir?”
Mas também:
“O que deveria preservar para plantar?”
A SEMENTE NÃO CUMPRE SUA MISSÃO NA MÃO
Imagine um agricultor com as melhores sementes da região.
Ele conhece a qualidade delas.
Mostra para os amigos.
Coloca-as em recipientes bonitos.
Fala sobre a colheita que elas poderiam produzir.
Estuda agricultura.
Participa de cursos.
Compra ferramentas.
Prepara o terreno.
Mas nunca planta.
No final, ele possui conhecimento sobre semeadura, mas não possui semeadura.
Existe uma diferença entre:
saber o princípio
e
praticar o princípio.
Tiago 1:22 adverte:
“Sede praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.”
Há um momento em que o conhecimento precisa se transformar em ação.
Você pode estudar sobre perdão durante anos.
Em algum momento terá que perdoar.
Pode aprender sobre generosidade.
Em algum momento terá que ser generoso.
Pode aprender sobre oração.
Em algum momento terá que orar.
Pode aprender sobre administração.
Em algum momento terá que organizar suas finanças.
Pode aprender sobre chamado.
Em algum momento terá que começar a servir.
Pode estudar sementes.
Em algum momento terá que semear.
QUAL SEMENTE ESTÁ NA SUA MÃO HOJE?
Chegamos então à pergunta que encerra este tópico.
Não:
“O que eu gostaria de possuir?”
Mas:
“O que já está em minhas mãos?”
Talvez seja pequeno.
Talvez você considere insuficiente.
Talvez ninguém esteja impressionado com aquilo.
Mas não despreze uma semente simplesmente porque ela ainda não parece uma árvore.
Pergunte:
Que conhecimento posso desenvolver?
Que relacionamento preciso cultivar?
Que habilidade devo colocar a serviço?
Que recurso preciso administrar?
Que oportunidade preciso aproveitar?
Que atitude preciso começar?
Que palavra preciso liberar?
Que perdão preciso oferecer?
Que tempo preciso investir?
Que passo de obediência preciso dar?
Porque existe um momento em que a semente precisa deixar de ser apenas possibilidade na sua mão e começar a cumprir o propósito para o qual foi confiada a você.
FRASE DE FECHAMENTO DO TÓPICO
DEUS PODE COLOCAR A SEMENTE EM SUAS MÃOS, MAS EXISTEM SEMENTES QUE SOMENTE CUMPRIRÃO SEU PROPÓSITO QUANDO VOCÊ DECIDIR PLANTÁ-LAS.
E quando você fizer aquilo que lhe cabe — plantar, cuidar, trabalhar, servir e permanecer fiel — continuará reconhecendo:
“Eu plantei, outro pode regar, mas é Deus quem dá o crescimento.”
Assim encerramos o fundamento desta primeira aula:
RECONHEÇA A SEMENTE.
DISCIRNA O DNA.
ESCOLHA O SOLO.
IDENTIFIQUE O QUE DEUS JÁ COLOCOU EM SUAS MÃOS.
E NÃO DEIXE A SEMENTE PRESA NA MÃO.

Bp Rinaldo Joobi Alves
SEMINARIO DE PROSPERIDADE POR PRINCIPIOS BIBLICOS

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